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Bebé recém-nascido durante uma avaliação de fisioterapia pediátrica

Fisioterapia pediátrica: quando procurar ajuda?

Cada criança desenvolve-se ao seu ritmo. Algumas começam a andar mais cedo. Outras precisam de mais tempo para ganhar equilíbrio, força e confiança. Estas diferenças nem sempre significam que existe um problema.

Ainda assim, quando os pais observam grandes diferenças no desenvolvimento, uma preferência constante por um lado do corpo, dificuldades motoras persistentes, alterações posturais, entre outras situações, é natural surgirem questões.

A boa notícia… A avaliação por um especialista em fisioterapia pediátrica pode ajudar a esclarecer essas preocupações.

Uma avaliação não serve apenas para procurar dificuldades. Permite compreender como a criança se movimenta, quais são as atividades mais exigentes e de que forma a família pode apoiar o seu desenvolvimento. O objetivo não é comparar crianças nem forçar a aquisição de competências. É promover movimento, autonomia, participação e qualidade de vida de forma segura e adequada à idade.

O que é a fisioterapia pediátrica?

A fisioterapia pediátrica é uma área especializada na avaliação e acompanhamento de bebés, crianças e adolescentes com alterações do movimento, postura, desenvolvimento motor, função respiratória ou capacidade para participar nas atividades do dia a dia.

Na prática, uma consulta pode incluir a observação da forma como a criança:

  • sustenta e movimenta a cabeça;
  • rola, senta, se desloca no chão ou se coloca de pé;
  • anda, corre, salta e muda de direção;
  • utiliza os braços e as pernas;
  • mantém o equilíbrio;
  • respira e mobiliza secreções;
  • participa nas brincadeiras, na escola e no desporto;
  • reage à dor, ao esforço e a diferentes estímulos.

O brincar é frequentemente integrado na intervenção. Para a criança, uma atividade pode parecer apenas um jogo. Para o fisioterapeuta, essa atividade permite avaliar ou trabalhar o equilíbrio, a coordenação, a força, a mobilidade e o controlo postural.

Em que situações pode estar indicada a fisioterapia pediátrica?

A fisioterapia pediátrica pode ser recomendada desde os primeiros dias de vida até ao final da adolescência. A intervenção depende sempre das necessidades da criança e não apenas do nome de uma condição clínica.

Atraso ou diferenças no desenvolvimento motor

Algumas crianças demoram mais tempo a controlar a cabeça, sentar, deslocar-se, ficar de pé ou andar. Outras alcançam estas competências, mas utilizam estratégias muito assimétricas ou revelam dificuldade em acompanhar as atividades próprias da idade.

Nestes casos, o fisioterapeuta pode avaliar:

  • o controlo da cabeça e do tronco;
  • a força e a mobilidade;
  • o equilíbrio;
  • a coordenação;
  • a simetria dos movimentos;
  • a forma como a criança muda de posição;
  • as oportunidades de movimento existentes no quotidiano.

Os marcos do desenvolvimento infantil são referências úteis, mas não devem ser interpretados como prazos rígidos. A Organização Mundial da Saúde também disponibiliza janelas de aquisição para seis grandes marcos motores, mostrando que existe variabilidade na idade em que as crianças os alcançam.

As listas de marcos não substituem uma avaliação clínica especializada nem os instrumentos validados de rastreio do desenvolvimento. Porém, a ausência de progressos, a perda de capacidades já adquiridas ou uma preocupação persistente da família justificam aconselhamento profissional. 

Torcicolo muscular congénito e assimetrias do bebé

O torcicolo muscular congénito pode fazer com que o bebé incline a cabeça para um lado e prefira olhar para o lado oposto.

Esta preferência pode estar associada a:

  • redução da mobilidade do pescoço;
  • maior utilização de um lado do corpo;
  • dificuldade em acompanhar estímulos dos dois lados;
  • assimetrias da cabeça ou do rosto;
  • alterações na forma como o bebé brinca e muda de posição.

A fisioterapia pode incluir atividades para favorecer a mobilidade do pescoço, o controlo da cabeça, o tempo de barriga para baixo e a exploração dos dois lados do corpo. Os pais recebem ainda orientações sobre posicionamento, e sobre o transporte, a alimentação e até os momentos de brincadeiras.

Pé boto

O pé boto, também designado pé equinovaro congénito, necessita de acompanhamento especializado.

O método de Ponseti é geralmente considerado a abordagem conservadora de referência. Envolve a manipulação progressiva do pé e a aplicação de imobilizações seriadas. Em determinados casos, pode incluir um pequeno procedimento no tendão de Aquiles e a utilização posterior de uma ortótese.

A fisioterapia pode participar na avaliação funcional, na orientação da família e no acompanhamento do desenvolvimento motor. A intervenção deve decorrer em articulação com ortopedia pediátrica e com a equipa responsável pelo tratamento.

Paralisia cerebral e outras condições neurológicas

Nas condições neurológicas, a fisioterapia pediátrica procura aumentar a capacidade da criança para realizar atividades relevantes, como:

  • mudar de posição;
  • alcançar e manipular objetos;
  • sentar-se;
  • levantar-se;
  • andar ou deslocar-se com produtos de apoio;
  • brincar;
  • participar nas rotinas familiares e escolares.

O plano deve considerar os objetivos da criança e da família, a idade, o nível funcional, o ambiente e as oportunidades de participação.

Quando necessário, o acompanhamento pode ser articulado com a fisioterapia neurológica e com outras especialidades.

Escoliose infantil e do adolescente

A escoliose é uma alteração tridimensional da coluna. Nem todas as assimetrias dos ombros ou da postura correspondem a uma escoliose.

A confirmação exige avaliação clínica e, quando indicado, exames de imagem solicitados pelo médico.

Em crianças e adolescentes com escoliose idiopática, o plano pode incluir:

  • educação sobre a condição;
  • acompanhamento da evolução;
  • atividade física adaptada;
  • exercícios específicos para a escoliose;
  • trabalho respiratório e postural;
  • intervenção médica ou utilização de colete quando indicado.

Os exercícios não substituem o acompanhamento médico, o colete ou a cirurgia quando essas opções são clinicamente necessárias.

Problemas respiratórios

A fisioterapia respiratória pediátrica pode ser considerada quando a criança apresenta dificuldade em mobilizar secreções, tosse pouco eficaz ou uma condição respiratória, neuromuscular ou crónica que prejudica a ventilação.

As técnicas não são, obviamente, iguais para todas as doenças. A escolha da técnica deve considerar a idade, as preferências, a tolerância e a situação clínica da criança.

Na fibrose quística, por exemplo, as técnicas de limpeza das vias aéreas podem ter efeitos de curto prazo na mobilização das secreções.

Por exemplo, na bronquiolite aguda, a fisioterapia respiratória convencional não deve ser aplicada em todas as situações sem uma avaliação cuidadosa. Uma importante revisão Cochrane concluiu que as técnicas convencionais e as técnicas de expiração forçada não apresentam benefício em todos os casos. Algumas técnicas expiratórias lentas poderão produzir uma melhoria limitada em alguns bebés, mas não há evidência de uma utilidade transversal.

Por esse motivo, um bebé com sintomas respiratórios deve ser avaliado antes de se considerar qualquer técnica.

Quais são os benefícios da fisioterapia pediátrica?

Os objetivos devem ser definidos de forma individualizada com a criança e a família.

Dependendo da situação, a fisioterapia pode procurar:

  • facilitar a aquisição de competências motoras;
  • melhorar o equilíbrio e a coordenação;
  • aumentar a mobilidade, a força e a resistência;
  • melhorar o controlo postural;
  • reduzir limitações associadas à dor ou a uma lesão;
  • apoiar a autonomia nas rotinas diárias;
  • melhorar a participação nas brincadeiras e na atividade física;
  • facilitar a mobilização de secreções em condições selecionadas;
  • orientar pais, cuidadores, educadores e treinadores;
  • recomendar adaptações ou produtos de apoio;
  • promover a participação na família, na escola e na comunidade.

Nem todas as crianças apresentam a mesma evolução. A resposta depende da condição clínica, idade, objetivos, frequência da prática, envolvimento familiar e evolução individual.

Por essa razão, não existe um programa universal de exercícios adequado a todas as crianças.

Sinais de alerta: quando marcar uma avaliação?

A tabela seguinte apresenta exemplos orientadores. Não constitui uma ferramenta de diagnóstico.

Faixa etáriaSinais que justificam aconselhamento profissional
Primeiros mesesMantém a cabeça quase sempre voltada para o mesmo lado; movimenta um lado do corpo muito menos; apresenta dificuldade persistente em sustentar ou movimentar a cabeça.
Segundo semestre de vidaNão revela progressos no controlo do tronco ou nas mudanças de posição; utiliza os membros de forma muito assimétrica; parece excessivamente rígido ou pouco ativo.
12–18 mesesNão demonstra progressos na mobilidade em pé; evita apoiar peso nas pernas; cai repetidamente para o mesmo lado; não inicia passos independentes próximo dos 18 meses.
Após os 18 mesesAnda constantemente em bicos de pés; apresenta quedas muito frequentes sem evolução; evita correr, saltar ou brincar; queixa-se regularmente de dor.
Qualquer idadePerde capacidades já adquiridas; apresenta dor persistente; desenvolve uma assimetria marcada; deixa de utilizar um braço ou uma perna; reduz subitamente a participação nas atividades habituais.

Por volta dos 18 meses, andar sem apoio é um dos marcos motores considerado importante. Este marco deve ser interpretado juntamente com o restante desenvolvimento da criança. Contudo, a ausência de uma competência isolada não permite concluir que existe uma alteração. Importa perceber se a criança continua a progredir, se utiliza estratégias adequadas e se existem outros sinais associados.

Como decorre uma consulta de fisioterapia pediátrica?

A primeira consulta começa habitualmente por uma conversa com os pais ou cuidadores.

O fisioterapeuta procura conhecer:

  • a gravidez e o nascimento;
  • os antecedentes clínicos;
  • o desenvolvimento da criança;
  • as rotinas familiares;
  • o sono e a alimentação, quando relevantes;
  • a forma como brinca e se movimenta;
  • a participação na escola ou no desporto;
  • as principais preocupações da família.

Segue-se uma avaliação adaptada à idade.

Num bebé, pode envolver avaliação em mudanças de posição, controlo da cabeça, alcance de brinquedos ou apoio dos braços e das pernas. Numa criança mais velha, pode incluir colocar a criança a andar, correr, saltar, subir degraus, equilibrar-se ou executar movimentos relacionados com a atividade desportiva.

Com base nos resultados, são definidos objetivos realistas. O plano pode incluir sessões presenciais, atividades para integrar nas rotinas, aconselhamento aos cuidadores e articulação com outros profissionais de saúde.

Sempre que sejam identificados sinais fora do âmbito da fisioterapia, a criança poderá ser encaminhada para pediatria, neuropediatria, ortopedia, pneumologia, terapia da fala ou outra especialidade.

Mitos e verdades sobre fisioterapia pediátrica

“É sempre melhor esperar para ver se passa.”

Mito. Em algumas situações, acompanhar a evolução durante um período pode ser o mais adequado. Noutras, esperar atrasa o acesso a orientações importantes.

Uma avaliação precoce não significa que a criança terá de iniciar um tratamento prolongado. Em alguns casos, uma consulta e algumas recomendações podem ser suficientes.

“A fisioterapia pediátrica é apenas para crianças com doenças graves.”

Mito. Também pode ser indicada perante assimetrias posturais, dificuldades motoras ligeiras, dor, lesões desportivas ou limitações temporárias após uma imobilização.

“Os exercícios devem provocar dor para funcionarem.”

Mito. A intervenção deve respeitar o conforto, a segurança e os sinais da criança. Pode existir esforço ou algum desconforto pontual, mas a dor não deve ser utilizada como medida da eficácia.

“Os pais fazem parte do acompanhamento.”

Verdade. Os cuidadores ajudam a integrar estratégias nas rotinas reais da criança.

Não se pretende transformar a casa numa clínica. O objetivo é criar oportunidades simples e seguras de movimento, brincadeira e participação.

Quando é necessária assistência médica urgente?

A fisioterapia não substitui cuidados médicos urgentes.

Deve procurar assistência médica imediata se a criança:

  • apresentar dificuldade marcada em respirar;
  • fizer esforço visível para respirar, com retração da zona abaixo das costelas;
  • emitir gemidos ao respirar;
  • apresentar lábios ou pele azulados, acinzentados ou muito pálidos;
  • ficar muito sonolenta, confusa ou pouco reativa;
  • apresentar pausas respiratórias;
  • não conseguir apoiar um membro após uma lesão;
  • tiver deformidade visível, dor intensa ou edema (inchaço) importante;
  • perder subitamente força, equilíbrio ou capacidades já adquiridas.

Recomenda-se a assistência de emergência perante dificuldade respiratória, alterações da cor da pele ou diminuição da capacidade de resposta da criança.

Em Portugal, perante uma emergência, deve contactar o 112. Para aconselhamento de saúde não emergente, pode contactar o SNS 24 através do número 808 24 24 24.

Perguntas Frequentes

Não existe uma idade mínima. Um recém-nascido pode ser avaliado quando apresenta torcicolo, preferência postural, assimetria, prematuridade ou outra condição que afete o movimento.

A avaliação é sempre adaptada à idade e ao estado clínico.

 

Muitos bebés apresentam uma evolução favorável, sobretudo quando a situação é identificada e acompanhada precocemente.

O tempo necessário varia conforme a idade de início, a mobilidade do pescoço, a intensidade da assimetria e outras características do bebé. Não é possível garantir o mesmo resultado ou duração de tratamento em todos os casos.

 

A fisioterapia respiratória não deve ser dolorosa.

Alguns bebés podem chorar por estranharem o contacto, a posição ou o ambiente. As técnicas devem ser selecionadas de acordo com o diagnóstico, a idade, a tolerância e o estado clínico.

Depende da idade, do percurso de desenvolvimento e das competências que já adquiriu.

Mais importante do que analisar apenas a marcha é perceber se existe progressão, apoio nas pernas, equilíbrio, simetria e iniciativa para se deslocar. Se a criança estiver próxima ou para além dos 18 meses sem andar de forma independente, é aconselhável conversar com o pediatra ou procurar uma avaliação.

 

Não existe um número fixo.

Algumas famílias precisam apenas de uma avaliação e de orientações. Outras crianças beneficiam de acompanhamento regular. A frequência deve ser definida após a avaliação e revista de acordo com a evolução.

Em conclusão, procurar uma avaliação não significa assumir que existe uma doença. Significa obter informação, esclarecer questões e perceber se a criança necessita de acompanhamento, de pequenas alterações na rotina ou apenas de vigilância.

Na Tribo Saúde, a fisioterapia pediátrica é adaptada às necessidades de cada bebé, criança ou adolescente. A avaliação permite definir objetivos e um plano de acompanhamento individualizado, com participação da família e articulação com outros profissionais sempre que necessário.

Se observou uma assimetria, dificuldade motora, alteração postural, problema respiratório ou limitação após uma lesão, pode marcar uma consulta de fisioterapia pediátrica na Tribo Saúde.

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